sábado, 20 de setembro de 2014

Sob o deserto de Outrora

Desafogo-me das lágrimas que aqui jaz
Desabrigo rancores rematados ao peito
Movendo minh'alma para o sossego
Cedendo ao meu corpo um estado de paz
Porque tristeza é necrose da alma
Moeda sem nenhum valor
Apresada pra arrancar o vigor
Daqueles que não se permitem amar nada
Do meu coração o lúgubre partiu
Agora tudo é fauna e flora
Forte raiz sob o deserto de outrora
Triunfante verde, não sucumbiu!

Sob o Sorriso da Lua

A energia Brinda
Em roda, Transborda
A cachaça, entorna
Os desejos do agora.
E sob o sorriso da lua
A timidez se desnuda
Pra saciar-se da pura
Tua, minha carne crua.
Do teu corpo faço trilha
Onde a minha língua caminha
Devagar, sedenta, sozinha
Na busca de ti

Graças a Ti

Graças a ti
Não sou mais poeta
Tua doçura libertou-me
Das amarras dos versos, das palavras...
Mas pareço um jardim de girassóis
Vivendo de seus sorrisos
E de tuas lágrimas morrendo...
Graças a ti
Não sou mais poeta
Superficial não mais
No horizonte destas linhas
Meu espírito que escreve, livre!
Graças a ti
Realizei-me, sou poema!

Cor(ação)

Ponho meu coração na boca
Antes de falar
Dos meus sentimentos nus, encouraçados na língua.
Ponho meu coração nos olhos
Antes de enxergar
O quão a beleza humana me é falida ao mirar a natureza viva.
Ponho meu coração no ouvido
Antes de escutar
O mundo ajoelhado, rezando pela cura de seus tumores, de suas dores findas.
Ponho meu coração na alma
Antes de sentir
Que a pele pode ser amarga, quando áurea clama despedidas.
Ponho meu coração
Em tudo aquilo que acredito
Até o ultimo palpitar desentendido
Porque a vida é assim, ela pulsa sem pensar.
Sentir, sentir.... É o que eu quero...

Nad(ando)

O libido fulgor em meus olhos
Cresce ao ver-te chegar
Beijo sua boca com sede
E o que você me dá?
Um mar pra eu me afogar!
Um mar pra eu me afogar?
Mas não te esqueças
Que sei nadar
Se for pra me matar,
Que não seja com seu mar...

O Ensaio

Ensaia um sorriso 
e oferece-o a quem não teve nenhum. 
Agarra um raio de sol 
e desprende-o onde houver noite. 
Descobre uma nascente 
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Auto Crítica

Auto crítica transvestindo pesadelos submersos
Análises incisivas sob olhos gordos
A miragem do não ser satisfeito
Obra inacabada por não se sentir capaz.
Falta o ar longe do ultimo suspiro
Embora hajam inúmeros obstáculos
Desajeitados
Tentando tatear uma saída.
Esta pena do "eu"
Pesa no vazio
Que preenche e transborda
Na boca de um tubarão faminto.
Devorado embora distante
Sensações de um exilado
Lado a lado com as sombras
Barradas da luz.
Se as forças contra maré afogarem-se
Morreremos na praia artificial,
Deitados na fuligem do que fora nossa autenticidade
E ampla metamorfose do poder construtivo.